De repente

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Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida…*

Foi a música que cantei hoje pela manhã quando soube que você já havia partido. Cedo demais pra quem acabou de chegar.

Chegou de repente, e já se fez parte…

E enquanto desabrochava assisti sua busca, e assim como na música, em cada esquina, caia um pouco a sua vida. Mas, enquanto havia vida,  vislumbrava seu retorno. Aquele olhar sem graça de quem pede licença pra existir. Aquele sorriso escondido de quem busca encontrar o amparo.

Eu bem sei o que você buscava, e o quanto parte do que encontrava te afastava ainda mais…

Triste caminhada, triste fim. Não pelas escolhas mal tomadas como insistem em dizer, mas pelo tempo que não foi te dado pra voltar.

Mas, a vida é assim. Nunca sabemos se amanhã haverá tempo pra emedar os caminhos, e, quem não precisa emendá-los?

Destino, castigo, acaso, determinação. Quem ousa dizer? Só os que nunca trilharam esses mesmos caminhos. As curvas dessa estrada insólita, cheia de armadilhas e solidão rodeada de amigos. Já estive lá, posso dizer. Destino, castigo, acaso ou determinação que me trouxeram de volta? Ah, isso eu posso responder! Não, nenhuma destas. Fui bendita demais para ser destinada a tanto. Amada demais pra ser castigada. Buscada demais pra ser deixada ao acaso. Fraca demais pra determinar meu retorno. Pessoas simples me ajudaram. Pessoas simples me amaram. Pessoas simples se sentaram ao meu lado. Talvez nisso eu tenha te faltado. Ter te dado um pouco mais do que recebi. Nessas horas, pensamos em tudo e em nada. Tudo é certo e nada faz sentido. Apenas uma vontade de cuspir na vida.

Não, você não merecia. Não, ninguém quis que fosse assim. Resta apenas a lembrança e a saudade, dos que partilharam da alegria de sua companhia. Aqueles que ousaram caminhar bem perto, os que agora choram lágrimas doces, sem o amargo do: E, se…

Partiu como veio a nós, tão de repente…

* O Mundo é um moinho – Cartola

 

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