Disputa de perdedores!

Em 1908, o bispo da Pensilvânia disse no sermão para os atletas da Olimpíada de Londres: ‘o importante não é vencer, mas competir’. A frase, repetida e imortalizada mais tarde pelo barão de Coubertin, ainda é uma utopia necessária para o esporte… mas e na vida real, além dos pódios olímpicos? Será que ela faz sentido?

Entrar em disputas é inerente ao ser humano. E qualquer um que entra numa disputa tem esperança de vencê-la, não importa se é um jogo de par ou ímpar, uma guerra ou uma vaga de emprego.

Fenômeno moderno que veio como efeito colateral do “sucesso” do feminismo, esse espírito de competição não é mais exclusividade de esportistas, generais ou profissionais ávidos por gordos salários. A disputa entrou pela porta da frente da casa, passou pela sala e chegou ao nosso quarto: há cada vez mais competição entre casais.

Isso, claro, é apenas minha opinião. Tem gente que deve achar que um pouco de competição é até saudável, sei lá. Mas tenho visto casais que competem entre si de uma maneira que certamente deixará marcas. E ganhar uma medalha de prata numa competição em que apenas duas pessoas participam não deve ser exatamente a sensação mais agradável do mundo.

Os piores casos são de pessoas competitivas que não se sentem competitivas. Perigo à vista: daí para uma palavra mal colocada ou uma frase atravessada é um pequeno passo. Em tempos de crise, isso é ainda mais delicado: se um dos dois for demitido (toc, toc, bate na madeira) – tanto o complexo de culpa do vencedor quanto o desemprego do perdedor podem se tornar insuportáveis.

Competir com quem você ama é uma daquelas atividades que só podem dar errado. Isso pode até ser natural entre profissionais da mesma área, mas até mesmo nesse caso é bom tomar cuidado. Imagine só um casal de médicos que briga pela diretoria do hospital: a disputa deixa cicatrizes incuráveis, com o perdão do trocadilho.

Em vez de competição… cooperação. Morrissey, famoso por batizar suas canções com títulos curiosos, tem uma música que se chama ‘We Hate it When Our Friends Become Successful’ (Nós Odiamos Quando Nossos Amigos Fazem Sucesso).

Pois é, o nome da canção é bem provocativo, mas desta vez eu não concordo totalmente com o cantor inglês. É gostoso, sim, ver amigos bem-sucedidos. Mas é melhor ainda ver quem está do nosso lado se dar bem. Significa que somos uma influência positiva, uma força que joga o outro para frente. Quando um dos dois vai para frente, puxa o casal para uma vida bem melhor. E o melhor: ninguém sai perdendo!

Anúncios