Assisti a um filme ontem em que o ator que interpreta um jornalista ambicioso diz que “cada um tem a mídia que merece”. É uma frase ambigua, obviamente, mas totalmente compreensível dentro do contexto do filme que retrata interesses, disputas por poder e formação de “opinião” manipuladas, entre outras “coisas” que sustentam a mídia atual. Juntei meu “saco cheio” de alguns programas de “humor” e “humoristas” com uma entrevista que li hoje regada a ironia, mas vestida de entrevista e com cara de jornalismo. Quanto sarcasmo!
Tenho me perguntado como pode a ironia, a irreverência e a rebeliação deixarem de ser libertadoras e se tornarem enfraquecedoras na cultura que a vanguarda de hoje tenta escrever? Isto ocorre porque a ironia, por mais divertida que seja, serve quase exclusivamente para negar. É crítica e destrutiva, limpa o terreno. Com certeza essa é a maneira que os nossos pais do pós-modernismo a enxergaram. Mas a ironia é particularmente inútil quando chega o momento de construir algo no lugar da hipocrisia que denunciou.”
E como ela sempre pareceu um bom artifício para desativar a realidade hein!
Há certa covardia na ironia. Ainda que exija criatividade, ela coloca sempre o autor num ponto mais elevado. Ele ri de todos lá do topo de sua montanha. Não há risco.
Dizer coisas, ou até mesmo buscar fazer as perguntas certas, aí há risco, aí há ética (e não só estética e viagens ao redor do próprio texto).
É pertinente ressaltar que as expressões culturais do “humor” podem respresentar retratos fiés de uma época. O
homem é o único animal que rí e através dos tempos a maneira humana de sorrir modifica-se acompanhando os costumes e correntes de pensamento. Nos dias atuais, refere-se bem a como não pensamos, pois humor agora é ironia. Agora estou pensando seriamente se (como disse o personagem), cada um tem a mídia que merece…será?
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