19
out
11

Cada um tem a mídia que merece…será?!

Assisti a um filme ontem em que o ator que interpreta um jornalista ambicioso diz que “cada um tem a mídia que merece”. É uma frase ambigua, obviamente, mas totalmente compreensível dentro do contexto do filme que retrata interesses, disputas por poder e formação de “opinião” manipuladas, entre outras “coisas” que sustentam a mídia atual. Juntei meu “saco cheio” de alguns programas de “humor” e “humoristas” com uma entrevista que li hoje regada a ironia, mas vestida de entrevista e com cara de jornalismo.   Quanto sarcasmo!
Tenho me perguntado como pode a ironia, a irreverência e a rebeliação deixarem de ser libertadoras e se tornarem enfraquecedoras na cultura que a vanguarda de hoje tenta escrever?    Isto ocorre porque a ironia, por mais divertida que seja, serve quase exclusivamente para negar. É crítica e destrutiva, limpa o terreno. Com certeza essa é a maneira que os nossos pais do pós-modernismo a enxergaram. Mas a ironia é particularmente inútil quando chega o momento de construir algo no lugar da hipocrisia que denunciou.”

E como ela sempre pareceu um bom artifício para desativar a realidade hein!

Há certa covardia na ironia. Ainda que exija criatividade, ela coloca sempre o autor num ponto mais elevado. Ele ri de todos lá do topo de sua montanha. Não há risco.

Dizer coisas, ou até mesmo buscar fazer as perguntas certas, aí há risco, aí há ética (e não só estética e viagens ao redor do próprio texto).

É pertinente ressaltar que as expressões culturais do “humor” podem respresentar retratos fiés de uma época. O

homem é o único animal que rí e através dos tempos a maneira humana de sorrir modifica-se acompanhando os costumes e correntes de pensamento. Nos dias atuais, refere-se bem a como não pensamos, pois humor agora é ironia. Agora estou pensando seriamente se (como disse o personagem), cada um tem a mídia que merece…será?

16
jun
11

CONSTRUÇÃO DA PAZ

Para vislumbrar alguma luz sobre os descompassos violentos experimentados pela humanidade e os compassos pacíficos almejados por ela, temos que partir dessa ambiguidade fundamental: a realidade. Por um lado, ela vem marcada por conflitos e, por outro, é perpassada por ordem e paz. Nenhum desses lados consegue erradicar o outro. Mesclam-se e se mantêm num equilíbrio difícil e dinâmico. A arte consiste em manter a tensão buscando a convergência de energias que permitem o surgimento da paz, fruto de manifestações individuais e coletivas minimamente justas, includentes e sadias. A paz resulta, portanto, da administração dos conflitos, usando meios não conflitivos. Na construção da paz, os interesses coletivos devem se sobrepor aos individuais, a multiculturalidade sobre o etnocentrismo, a perspectiva global sobre a local. Há violência no mundo porque carrego violência dentro de mim na forma de raiva, inveja e ódio que devem ser sempre contidos. A explicação da agressividade tem desafiado os pensadores mais argutos. Sigmund Freud parte da constatação de que existem duas pulsões básicas: uma que afirma e exalta a vida (Eros) e outra que tensiona para a morte (Thánatos) – e seus derivados psicológicos como os ódios e as exclusões. Para Freud, a agressividade surge quando o instinto de morte é ativado por alguma ameaça externa. Alguém pode ameaçar o outro e querer tirar-lhe a vida. Então o ameaçado se antecipa e passa a agredir e eventualmente a eliminar o ameaçador. Outro pensador contemporâneo, René Girard, afirma que a agressividade provém da permanente rivalidade existente entre os seres humanos (chamada por ele de desejo mimético). Essa rivalidade cria permanentes tensões e elabora sinistras cumplicidades. Ao concentrar em alguém toda a maldade e toda a ameaça, a sociedade torna-o um bode expiatório. Todos se unem contra ele para afastá-lo. Essa união instaura uma paz momentânea entre todos os contendores. Desfeita esta paz, inventa-se um novo bode expiatório (os terroristas, os traficantes etc.) e novamente se cria a união de todos contra ele e se refaz a paz perdida.
Os antropólogos nos ajudaram também a entender a agressividade.                    Somos portadores de inteligência e de energias interiores orientadas para a generosidade, a colaboração e a benevolência. E, ao mesmo tempo, somos portadores de demência, de excesso, de pulsões de morte. Somos seres trágicos porque surgimos como coexistência dos opostos.
Dada essa contradição, como construir a paz?                                                                    Ela só triunfa na medida em que as pessoas e as coletividades se dispuserem a cultivar a cooperação, a solidariedade e o amor. A cultura da paz depende da predominância dessas positividades e da vigilância que as pessoas e as instituições mantiverem sobre a outra dimensão – a da rivalidade, do egoísmo e da exclusão.
Dentro deste propósito, deseja-se um mundo menos cão e mais são para se viver em paz

08
jun
11

Coando mosquistos e engolindo camelos

Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um taxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor. – A senhora é de Brasília, não é? – Sim – respondi. – É, eu a reconheci. E como é que a senhora aguenta conviver com aqueles ladrões lá do Planalto Central? Não deve ser moleza. O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos. Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional. Brasília é o palco mais visível dessas mazelas e nem poderia deixar de ser. Afinal, o país inteiro olha para lá. O taxista era só mais um crítico, aparentemente atento. O carro seguia em alta velocidade; a distância parecia esticada. Vi uma bandeira três disparada. Lá pelas tantas, quando já estávamos dentro de um segundo túnel escuro, o condutor falante sugeriu um “dia sem corrupção”. – Já pensou – disse ele – se uma vez por ano esses homens não roubassem? – Interessante – a exclamação me escapou aos lábios. – Sim – continuou entusiasmado -, seria uma economia e tanto. Nessa hora me dei conta de que estávamos percorrendo o caminho mais longo para o meu destino. Chegava a ser irracional, a quantia de voltas para acertar o rumo. Deixei. – Os economistas comentam – tagarelava ele – que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira. Caímos num engarrafamento, cenário perfeito para aquele juiz de plantão tecer mais comentários sobre o malfeito. – Veja como são as coisas, os riquinhos ociosos da Zona Sul acham que são donos do pedaço e vão embicando seus carros, furando fila, costurando de uma faixa a outra, querendo levar vantagem. A gente, que é motorista de táxi, tem que ficar atento, porque os guardas estão de olho. Mas eles fazem vista grossa para as vans que transportam pessoas ilegalmente. Elas param onde querem, estão tomando os nossos passageiros. Como não tem ônibus para todo mundo e táxi fica caro, muita gente prefere ir de van. Por falar em “caro”, a interminável corrida já estava me saindo um absurdo… Resolvi pontuar algumas coisas. – Por que o senhor escolheu o caminho mais longo? Ele tentou justificar: – É que eu estava fugindo do congestionamento. – Mas acabamos caindo no pior deles – retruquei. E por que o senhor está usando bandeira três se não tenho bagagem no porta-malas nem é feriado hoje? – continuei questionando. Ele disse que estava na três para compensar a provável falta de passageiro na volta. Claro que não, eu sabia. Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado. – Veja como são as coisas, seu moço – emendei. O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal! O brasileiro esperto quis interromper, mas era a minha vez de falar. – O senhor acha mesmo que os ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles? Os “homens” do Planalto Central são o extrato fiel da nossa sociedade. Quantos taxistas desse porte vemos dirigindo instituições? Bons de discurso, mas na prática… Quantas vezes, como fez esse taxista, usamos espelhos apenas com retrovisor para reter histórias alheias? Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão? Onde as escondemos que não aparecem no espelho? Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos. Ainda sonho com um Brasil de cara nova… a começar por minha própria cara.

(Delis Ortiz é jornalista, repórter especial da TV Globo, em Brasília)

03
mai
11

Coisas que a vida ensina depois dos 30

  • Amor não se implora, não se pede, não se espera… Amor se vive ou não.
    Ciúme é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
    Animais são anjos disfarçados, mandados à Terra por Deus, para mostrar ao homem o que é fidelidade.
    Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
    As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
    Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
    Água é um santo remédio.
    Deus inventou o choro para o homem não explodir.
    Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
    Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
    A criatividade caminha junto com a falta de grana.
    Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
    Amigos de verdade nunca te abandonam.
    O carinho é a melhor arma contra o ódio.
    As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
    Há poesia em toda a criação divina.
    Deus é o maior poeta de todos os tempos.
    A música é a sobremesa da vida.
    Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
    Filhos são presentes raros.
    De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças acerca de suas ações.
    Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor.
    O amor… Ah, o amor… O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças… Não há vida decente sem amor!
    E é certo… Quem ama, é muito amado. E vive a vida mais alegremente.
08
abr
11

Topo do Muro

Aprendeu o que lhe ensinaram…

Caminhou sob as pegadas…

Chorou quando choraram…

Aplaudiu quando aplaudiram…

Obedeceu as placas…

Seguiu os sinais…

Disseram que era uma escada…

Ele subiu cada degrau…

Pensou ter chegado ao topo…

Chegou ao topo do muro…

30
out
10

Pensar não é complicar

Ainda não havia manifestado minha decisão quanto às eleições deste segundo turno simplesmente por não ter muito o que dizer. Como escreveu alguém a quem tenho admirado nas últimas semanas : ” a  inglória missão de escolher os menos ruins entre os piores” tem me incomodado demais. Aumenta pois o meu estado não apenas de indecisão, pois não me vejo como um “eleitor indeciso”. O que tenho não é meramente indecisão, mas uma pilha de perguntas sem respostas. O quadro atual, como comentei em um grupo social, agride minha inteligência e fere meus conceitos sobre democracia. Até porque, pra mim, de maneira particular, o voto obrigatório é a primeira ofensa à cidadania e à democracia. Se as opções de voto Nulo e Branco fizessem parte de nossa democracia de maneira relevante, com certeza Tiririca não teria sido o Deputado mais votado, pois em nossa “cultura popular” votar, é “escolher alguém” .

SEgundo a lei n.4.737/65 do Código Eleitoral Brasileiro o voto nulo tem o poder de provocar nova eleição:

“Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.” (Fonte: Código civil)
Não quero com isso estimular ninguém a votar nulo, mas eu me nego a escolher entre os piores. Ainda não formei minha opinião por completo, mas confesso que meus pressupostos sobre cidadania através do voto estão abalados, e meus conceitos sobre democracia também. Mas como disse um amigo esses dias :  Dá pra você parar de complicar e simplesmente votar como todo mundo?”
Minha resposta é:   Não dá amigo.
Por dois legítimos e verídicos motivos:
PENSAR NÃO É COMPLICAR TÃO POUCO SIMPLICIDADE É SEGUIR A MULTIDÃO.
11
jun
09

O que o cego vê…

cegueira_blindfoldA alguns meses assisti o filme ”Ensaio sobre a cegueira”, mas só agora assistindo-o de novo, pude pensar um pouco sobre o assunto numa totalidade. A primeira vez que assisti fiquei presa apenas ao impacto das imagens,atuação dos atores, o cenário e fotografia do filme, talvez por isso não consegui me aprofundar na idéia do “cabeção” do Saramago. Resumindo minha reflexão…eu me lembrei de um pensamento da Hannah Arendt:  “A  época moderna, com sua crescente alienação do mundo conduziu a uma situação em que o homem onde quer que vá, encontra apenas a si mesmo.” Meu segundo olhar sobre o filme me trouxe essa mensagem, que o homem até quando literalmente cego, só enxerga a si mesmo, suas necessidades, seus desejos e prazeres e tudo o que o cerca deve render-se a ele.

 A humanidade se encontra em estado de relativa pobreza, pois mesmo com tanta coisa acontecendo todos os dias, com tanta coisa na natureza pra se ver, o que faz o ser humano olhar apenas para si mesmo?                   Em sua volta, há um universo rico em estímulos e oportunidades, despertados pelos fenômenos da natureza, pelas inúmeras raças em seus diferentes coloridos e texturas, e outros indivíduos, que trazem consigo suas histórias e esperanças. Tudo fica apagado, submerso em um mundo cheio de objetos, propaganda, tecnologia, embalagens e ruídos, que vendem também a ilusão de felicidade quando se adquire algum bem ou serviço. Pensei muito nisso tudo, em nossa época, nossa geração, nossos valores…

“Se puder olhar, veja. Se puder ver, repare”, recomenda Saramago, na abertura do livro (que virou filme) Ensaio sobre a cegueira. Nos nossos dias que são “hoje”  é necessário enxergar e não apenas ver, pois ver, qualquer cego hoje pode.

22
abr
09

Liberdade…

pardalzim

Num mundo “nem tão jovem assim”, ainda ecoa no ar o grito pela liberdade…Num mundo onde nunca se foi tão “livre”, onde nunca antes se obteve tanto tempo pra se gastar consigo mesmo, onde nunca houveram tantas respostas prontas, nem tão pouco receitas de sucesso e prazer… Penso muito em tudo isso, no vazio e no anseio dessa geração por algo que os preencha onde uma forte sede de sentido tem conduzido tantos ao desespero. Penso nessa geração que tudo tem nas mãos e nada tem a ser conquistado. Poucos lugares ainda inexplorados, poucos espaços nunca ocupados, enfim, tudo aí, nas mãos. Direitos conquistados, leis implantadas, revisadas, reajustadas, nada a ser descoberto, muito ainda a ser apenas copiado…É essa mesma geração que se vê depressiva em busca de auto ajuda diária como o pão quentinho da padaria, de todo dia…Um mundo composto por indivíduos tão centrados em si mesmos que numa horrenda contradição se esqueceram de si mesmos e vivem em busca de algo que ainda não tenham experimentado, e assim têm na boca o amargo gosto do “ainda quero” e não apenas do “quero mais”… Um dia em um de meus pensamentos pensei: Ai de mim, no dia em que desejar ser mais do que nasci pra ser, nesse dia terei perdido meu achado meu precioso, a simplicidade…E que ainda haja tempo pra nós!

14
out
08

A Bunda do Brasil ou o Brasil da Bunda???

 

Das tantas riquezas tupiniquins muitas vingaram, o Pau Brasil, (adoçando a vida da metrópole lusitana e amargando a dos escravos), o café durante anos, a borracha, o ouro em Minas…mas a bunda (reconhecida por muitos como “riqueza” nacional) é a única que ultrapassou os tempos e tem reinado até hoje. Na verdade não sei afirmar se o imperador Dom Pedro I ”ficou” por aqui por puro patriotismo e pelas oito mil assinaturas, ou se “ficou” mesmo por causa das bundas das cabrochas que viu por aqui. Foi no período colonial que começaram descer as bundas, ou melhor, as negras. O cotidiano dessas negras nas fazendas do Brasil se resumia nessa dinâmica: A cana que a negra amargava com seu trabalho adoçaria o café do senhozinho que comeria sua bunda. 

Nos anos 70 muitas bundas deixaram as praias ensolaradas e desceram os escuros porões da ditadura. De lá pra cá algumas coisas mudaram na república, mas as bundas, homéricas, ampliam a cada dia o seu império. É impossível não ver uma na banca de jornal, nas revistas, na tv em novelas ou comerciais…é bunda pra todo lado. Até Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre ela:

A bunda, que engraçada, está sempre sorrindo, nunca é trágica. “Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se.” “Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz, na carícia de ser e balançar esferas harmoniosas sobre o caos.”

Bom, não é necessário comentar o poema, ele basta-se. A verdade é que elas ocuparam tudo por aqui. Porém o grande salto da bunda foi nos anos 90 nas letras das músicas (aff), haja bunda pra tanta música, ou tanta música pra tanta bunda, ou melhor, haja lixo pra tanta bunda ou tanta bunda pra tanto lixo (ai, chego a me confundir). Pra finalizar, sabe-se mais ou menos o início dessa “bundarola”, mas ainda não sabemos como ou quando isso vai parar, ou se vai. O que a gente faz em relação a isso? Boa pergunta. Acho que a gente nem mexe a bunda…

30
set
08

Deus morreu???

(…”Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje! – Friedrich Nietzsche, . A Gaia Ciência)
Eis uma das declarações mais mal interpretadas da historia…Mas afinal o que Nietzsche quis dizer com tal declaração. Bom existem muitas interpretações, mas analisando bem a obra do filosofo e o contexto historico em que ele estava inserido dá pra fazer algumas observações relevantes e até bem significativas até nos dias de hoje. Se olharmos a filosofia de Nietzsche, observamos que ela serve para julgar a vida. Ele entre tantas coisas foi um crítico ativo do fanatismo e da tirania da fé, pois era e ainda é em nome da fé que muitos tem mandado matar em nome de Deus. Matar em seus vários sentidos, seja morte física, emocional ou intelectual. em nome de Deus (… Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-Poderoso. Ao repelir os Judeus estou lutando pelo trabalho do Senhor. – Adolph Hitler, Discurso, Reichstag, 1936).  Foi pela fé que constituimos um dos mais miseráveis capítulos da historia humana, seja em troca de promessas ao paraiso, ou em ameaças de inferno. Sinceramente me pergunto. O Deus da bíblia ainda vive em nossos corações? SErá que realmente temos o matado, apagado sua verdadeira historia de nossa cultura, nossa arte, nossa literatura, nossa sociedade, educação, saúde, política, entretenimento, nossa vida??? Daí, em seguida, Nietzsche escreve: “O reino dos céus é um estado do co-ração, e não algo capaz de descer sobre a terra, ou que venha depois da morte. O reino de Deus não é alguma coisa pela qual se possa esperar. Ele não tem ontem, nem amanhã, não vem em mil anos – é uma experiência íntima do coração: está em toda parte e em parte nenhuma”.  Fiquemos com essa última de Nietzsche, que atropela nossos pressupostos, arrebenta nosso fatalismo religioso que ainda aguarda um reino que virá pra resolver nossos problemas e os de nossa sociedade. Que ainda aguarda um salvador que virá, ou uma pomba que ainda há de descer. De certo talvez milhões de pessoas tenham matado o verdadeiro Deus em sua visão míope e parcial da vida e do próprio Deus.




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