A alguns meses assisti o filme ”Ensaio sobre a cegueira”, mas só agora assistindo-o de novo, pude pensar um pouco sobre o assunto numa totalidade. A primeira vez que assisti fiquei presa apenas ao impacto das imagens,atuação dos atores, o cenário e fotografia do filme, talvez por isso não consegui me aprofundar na idéia do “cabeção” do Saramago. Resumindo minha reflexão…eu me lembrei de um pensamento da Hannah Arendt: “A época moderna, com sua crescente alienação do mundo conduziu a uma situação em que o homem onde quer que vá, encontra apenas a si mesmo.” Meu segundo olhar sobre o filme me trouxe essa mensagem, que o homem até quando literalmente cego, só enxerga a si mesmo, suas necessidades, seus desejos e prazeres e tudo o que o cerca deve render-se a ele.
A humanidade se encontra em estado de relativa pobreza, pois mesmo com tanta coisa acontecendo todos os dias, com tanta coisa na natureza pra se ver, o que faz o ser humano olhar apenas para si mesmo? Em sua volta, há um universo rico em estímulos e oportunidades, despertados pelos fenômenos da natureza, pelas inúmeras raças em seus diferentes coloridos e texturas, e outros indivíduos, que trazem consigo suas histórias e esperanças. Tudo fica apagado, submerso em um mundo cheio de objetos, propaganda, tecnologia, embalagens e ruídos, que vendem também a ilusão de felicidade quando se adquire algum bem ou serviço. Pensei muito nisso tudo, em nossa época, nossa geração, nossos valores…
“Se puder olhar, veja. Se puder ver, repare”, recomenda Saramago, na abertura do livro (que virou filme) Ensaio sobre a cegueira. Nos nossos dias que são “hoje” é necessário enxergar e não apenas ver, pois ver, qualquer cego hoje pode.









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